Prefácios e texto

O prefácio é a confissão inconfessável de que é necessário que um livro acabe, é preciso dar fim à escrita, mas esse fim nunca é estrutural ou essencial, ele é sempre simulado. A escrita abre a própria escrita - eis o seu destino - e seu fechamento é um ato de resignação aos limites materiais e institucionais do livro - uma invenção, necessária, mas uma invenção. Nesse momente intervém o prefácio, ele não apenas subsume o texto a um método de leitura a ser tomado pelo leitor modelo, que nesse momento é o próprio autor, mas também apara as bordas da escritura, fecha o texto sobre si enquanto paradoxalmente apresenta aquilo que o ultrapassa, o livro que se gostaria de escrever. Realização e fracasso, limite e descentramento andam juntos: o prefácio é a oração fúnebre da escrita.

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Jovens pesquisadores

"O trabalho (de pesquisa) deve ser assumido no desejo. (...) Para que o desejo se insinue no meu trabalho, é preciso que esse trabalho me seja pedido não por uma coletividade que pretende garantir para si o meu labor (a minha pena) e contabilizar a rentabilidade do investimento que faz em mim, mas por uma assembléia viva de leitores em que se faz ouvir o desejo do Outro (e não o controle da Lei)."

Roland Barthes